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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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06 de March de 2010 |
Se a situação está difícil
Falta de grana, patrão chato
E quase ninguém te escuta
Saibas que está tudo bem
Pois sempre existem as putas
Se mulheres te desprezam
Por não ser rico ou sarado
E nem for campeão de luta
Não se desespere
Pois sempre existem as putas
Se tua mulher te traiu
Não deu valor a quem você é
E nunca esperou dela tal conduta
Amigo, ela que se dane
Pois sempre existem as putas
Se a liberdade é o que nos convém
Festas, botecos e amores passageiros
Nessa nossa vida curta
Voe como um passarinho
Pois sempre existem as putas
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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05 de March de 2010 |
Tudo gira sem parar
As fotos, as roupas e as lembranças
O tempo avança e retroage
E a cabeça prestes a estourar
Não tenho pernas para dar o passo
Não sinto meu coração bater no peito
Inútil esperar algo de lógico
Esperança de voltar ao passado.
Me transformei nisso jogado na cama
Uma mistura de homem com saco de lixo
A terrível sensação de impotência
Na certeza de não mais ter o que se ama
E não adianta me fazer de forte
Pois a perda não foi simplesmente uma troca
Quem perdi nunca mais volta
Não reconquisto um amor da morte.
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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05 de March de 2010 |
- Se eu ganhasse cinco quilos já estaria bom!
Alberto apertava os ossos de sua costela em frente ao espelho enquanto pensava que alguns quilos poderiam esconder a quantidade de ossos que saltavam de seu corpo, principalmente quando aspirava o ar com toda força de seu pulmão.
Estava com 20 anos, e para maior desespero, era muito alto, tinha um pouco mais de um metro e noventa, mas nunca conseguiu chegar aos setenta quilos.
Tentou vários métodos que os amigos lhe aconselharam como tomar dois litros de leite por dia (o que lhe causou uma diarréia que fez emagrecer ainda mais), comeu três barras grandes de chocolate (e a diarréia lhe atacou novamente, sem contar que seu rosto pareceu um chuchu de tanta espinha), tomou inúmeros abridores de apetite, vitaminas, supercalóricos etc, mas quando subia na balança: sessenta e oito quilos.
Seu complexo aumentava ainda mais, ao ver seus amigos, altos ou baixos com o peso na medida certa, alguns mais gordinhos que outros, porém, o pior de tudo e o que mais acabava com a estima de Alberto, era ver que todos tinham ou tiveram um namorico, uma ficada ou até alguma paquera pendente.
- E o magrelo nunca deu um beijo em sua vida. Vinte anos e nem um selinho sequer...
Quase não saia de casa, após terminar o colegial arrumou um emprego noturno em uma confecção. Preferia o horário noturno pois quase ninguém via andando pelas ruas na ida ou na volta do trabalho.
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A gastrite e o sal de frutas |
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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20 de January de 2009 |
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O estômago continua queimando. Acho que exagerei nos pedaços de bolo que minha mãe fez especialmente para mim. O pior não é ficar com vontade de comer bolo e não ter alguém para fazê-lo, o pior é ter alguém para fazê-lo e você sofrer de gastrite e passar mal após o primeiro pedacinho. Não consigo entender como o funcionamento do corpo pode interferir tanto em meus procedimentos cotidianos. Essa gastrite está atrapalhando bastante meus planos. A gastrite começa bem no fundo, nas entranhas do estômago, é uma queimação pequena que aos poucos parece incendiar todo o corpo, deixando-me com uma forte vontade de ficar deitado e sem fazer nada. A boca fica amarga e de vez em quando solto um arroto fino, quase imperceptível, para os outros, mas esse arroto sai da garganta totalmente quente e trás lembranças do bolo que acabei de comer. Se eu não me engano foi minha vizinha quem disse: “suco de couve é bom para a gastrite".
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Por que espirramos quando olhamos para o sol? |
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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09 de March de 2009 |
Ficar resfriado é uma das coisas mais constrangedoras que uma pessoa
pode ter. Não é a pior coisa do mundo porque existem doenças muito pior
que nem é bom mencionar.
Mas o tal do resfriado é constrangedor
porque faz-nos escravos de nossas súbitas vontades de limpar o nariz,
tossir e espirrar. Mais constrangedor é estarmos resfriados e ninguém
mais estar. Somos os únicos a interromper uma conversa para pegar o
lenço ou o papel e assoar o nariz, sem contar a assadura em nosso
aparelho nasal e as feridas que sempre arrebentam em nossa boca. As malditas
perebas. O pesadelo para quem pretende sair no final de semana para
beijar muito. Quem é que vai querer beijar um cara com a boca infestada
de pereba? Principalmente se a pereba estiver no estágio de pus.
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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07 de December de 2008 |
A irresistível tentação de cheirar o fio dental depois de limpar os dentes foi que me fez abraçar a profissão de dentista.
Hoje sou respeitado no meio da odontologia, mas confesso que essa minha pequena “tara”, poderia por em cheque minhas atitudes profissionais e até acabar com minha carreira.
Que culpa tenho de gostar de cheirar o fio dental depois de limpar os dentes?
Comecei desde pequenino, quando cutucava o dente com a ponta de palito de fósforo e depois levava ao nariz. Sei que o cheiro pode não ser agradável para as pessoas, porém, para mim, era como um pedaço de mim, algo passado, que estava preso a mim. Um pedaço de carne, resto de comida que havia almoçado e estava presente ainda em minha boca. Não dá para explicar, só cheirando para descrever o que sentia.
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